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Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

in "O Nome das Coisas"
25 de abril de 2020, este é o “dia inicial inteiro e limpo” de um país que emerge agora “da noite e do silêncio” que a pandemia forçou.

Abril de 1974 reinventou-nos e hoje, mais que nunca, abril de 2020 reforça o espírito da revolução em cada um de nós, lembra-nos que estamos todos juntos, numa causa, numa força, numa voz e que sem sairmos à rua somos um povo unido, um coletivo fervoroso que vencerá mais esta prova.

Este website é um convite para, em nossas casas, celebrarmos abril. Recordamos as memórias, as vidas e os tempos, para que estes não se desvaneçam na noite e no esquecimento. Abril de 1974 e abril de 2020 parecem agora símbolos da esperança renovada, ainda que por motivos diferentes.

Neste lugar revisitaremos a cronologia, os acontecimentos, os documentos, as fotografias porque hoje celebramos a liberdade entre as 4 paredes das nossas casas sem habituais comemorações nas ruas.

A Revolução fará hoje 46 anos… Quase meio século de um país renovado, outrora mergulhado na memória da polícia política, da proibição, da tortura, da censura, do regime. Conhecer esta parte da nossa história, da alma coletiva de um povo, é honrar o compromisso de não voltarmos às noites escuras, silenciosas e tortuosas da repressão.

No quadragésimo sexto aniversário da Revolução de Abril vemo-nos confrontados com um confinamento obrigatório, paradoxal aos termos da liberdade que sempre celebrámos mas que em prol de todos sabemos ser este a melhor forma de nos honrarmos coletivamente.

Este é um tempo novo em que impera celebrar as liberdades já conquistadas, em que importa assinalar que estarmos em casa é celebrarmos a nossa liberdade de viver, de sermos e estarmos, a liberdade individual de num esforço coletivo ultrapassarmos mais este desafio.

“Livres habitamos a substância do tempo”, um novo tempo de esperança, de empatia, de renovação, das liberdades reconquistadas e sempre lembradas…


Sintra, abril de 2020